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Por Hemanuel Veras

 

No final de maio, o Centro Popular de Comunicação e Audiovisual (CPA) organizou, em conjunto com a Coalizão Tecnopolíticas Pan-amazônicas (CTP), o minicurso “EGI Belém: Reflexões sobre a internet e territórios a partir da Amazônia”. A realização do curso foi resultado de uma articulação, liderada pelo CPA, junto ao NIC.Br, por meio do Conselho Gestor da Internet  e do Centro de Referência e Capacitação em Governança da Internet (Ceregi). Além disso, as instituições que integram a  CTP atuaram coletivamente na organização. As Escolas de Governança da Internet (EGI) são cursos realizados em diferentes versões e cidades. A EGI Belém foi a oportunidade de a CTP participar da construção de um curso centrado nas questões da Amazônia e direcionado para pessoas da região.

O minicurso foi realizado nos dias 22 e 23 de maio, na sede do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), organização que também compõe a CTP,  às vésperas do 16º Fórum da Internet no Brasil (FIB), que aconteceu entre os dias 25 a 29 de maio. Como diferencial, a turma teve 20 participantes indicados pela Coalizão, representando cada um dos estados da Amazônia Legal e contou com uma programação de palestras e oficinas centrada na perspectiva amazônida sobre os temas da Governança da Internet.

Entre as atividades realizadas por membros da CTP na programação, a oficina “Infraestruturas, conectividade e inclusão digital na Amazônia” foi facilitada por Hemanuel Veras, do CPA.  A atividade começou com um debate sobre o que são infraestruturas e quais delas são utilizadas para prover internet. As ideias de inclusão digital e conectividade significativa foram apresentadas, com o apoio de mapas e estatísticas sobre os estados da Amazônia.

Busca por consensos

 

               

 

A Governança da Internet no Brasil é marcada pela construção de consensos. Com o objetivo de representar este desafio, a oficina ofereceu momentos intencionais de diálogo entre os participantes na segunda parte da Oficina. A turma foi convidada a se dividir em grupos, com a participação de membros da CTP presentes, totalizando quatro pessoas em cada. Em seguida, foram sorteados os papéis de cada pessoa no seu grupo: cada um deles passou a representar um dos setores da Governança da Internet.

O desafio de cada grupo foi dialogar e custear as conexões de internet para prédios e localidades de uma cidade fictícia, cujo mapa foi apresentado à turma. O mapa e os valores das conexões foram feitos de forma que nenhum setor poderia conectar muitas localidades individualmente, mas negociando e dialogando podiam encontrar pontos em comum. Ao final da atividade, mesmo sendo o mesmo mapa, cada grupo “infraestruturou” a internet de sua cidade imaginária de uma forma única. Mesmo que houvesse muita discordância, soluções e parcerias foram realizadas e, de forma lúdica, cada grupo pôde experenciar que as infraestruturas da internet não são apenas tecnológicas, mas também políticas e sociais.

O jogo foi inicialmente idealizado por Gustavo Souza, da Desvelar, e depois desenvolvido e adaptado por Hemanuel Veras para a oficina na Mini EGI, que foi a primeira experiência dessa metodologia em sala de aula. Para os criadores, a atividade cumpriu a função de colocar em jogo a compreensão dessas infraestruturas da rede e ao mesmo tempo criar laços entre os participantes, através da interpretação e da interação. A ideia agora é aprimorar e desenvolver uma versão mais completa do jogo a partir do retorno da turma, para futuras turmas da CTP.

Nossa programação 

                                    

O minicurso contou com a participação de membros da CTP nos dois dias de atividades. A programação começou com a roda de conversa “Perspectivas sobre tecnologias”, que contou com a participação de Jéssica Botelho, do CPA, e Vic Argôlo, do Cedenpa. No mesmo dia foram realizadas as oficinas “Porque é urgente debater tecnologias e internet a partir da Amazônia”, com Wilson Guilherme e Bruno Ribeiro, do Centro de Pesquisa e Ativismo de Rondônia sobre Tecnologia, Estado e Sociobiodiversidade (C-Partes) e “Inteligência artificial e meio ambiente: Dados, infraestruturas e territórios”, com Gustavo Souza, da Desvelar.

No segundo dia, a abertura foi com a roda de conversa “Governança da internet: Atores e dinâmicas de participação”, que teve a participação de Lori Regattieri, da Eco Mídia. Também foram realizadas as oficinas “Estratégias de mobilização contra o racismo na internet”, com Vic Argôlo e Gustavo Souza e “Geração cidadã de dados nas periferias amazônicas”, com Paulie Amaral, da Na Cuia.

Usando metodologias de participação e interação com a turma, o minicurso buscou convidar novos participantes para os espaços de Governança da Internet sob uma perspectiva de quem vem das Amazônias e ainda é pouco representado nesses espaços. Para nós, do CPA, foi um importante passo para capilarizar esses debates nos territórios e convidar novas organizações e atores para a luta coletiva pelos direitos digitais e justiça socioambiental para as populações amazônidas. Juntos, nós podemos fazer muito mais!

*Fotos gentilmente cedidas pelo Cedenpa

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